"Uma pessoa ainda com 50 anos"
Joana Guimarães2009-05-19
É como se sente José Pedro Gomes que, embora faça rir os portugueses há mais de 10 anos, ambiciona outros voos na sua carreira.
Actor, autor e encenador. Hoje, aos 58 anos, José Pedro Gomes é um homem mais paciente que olha a vida com bons olhos, sem ignorar a parte má. O humorista esteve à conversa com o Idade Maior, onde falou das suas paixões, do futuro e do que gostaria de mudar no país.
O que muda depois dos 50 anos?
Temos mais calma, mais paciência para umas coisas e menos para outras. Eu tolero melhor aquilo que acho que vale a pena e menos outras coisas porque dei por mim a pensar na morte. Não como uma coisa negra mas como algo que está ali… com naturalidade.
E aprende-se a valorizar mais as coisas…?
Sim.
Mas quais são para si as mais-valias de ter mais de 50 anos?
Ser mais sábio. Saber rentabilizar melhor a vida e as relações com as pessoas com quem convivo. Agora, prezo mais os amigos, as pessoas de quem eu gosto. Dantes andava mais distraído, a viver muito depressa.
Passavam-lhe algumas coisas ao lado…
Exactamente. Profissionalmente, vivemos num país onde, nas artes, só aos 40 anos é que somos considerados. E como levamos pelo menos dez anos a aprender a manejar uma profissão, só aos 50 é que comecei a dominar a minha vida. Neste momento, estou seriamente a pensar no que vou fazer de diferente. As pessoas estão habituadas a ver-me como um cómico e eu, às vezes, tenho vontade de não ser cómico e de fazer outras coisas.
Neste momento, tem algum trabalho em vista?
Pois olhe que não. Nesta altura é difícil encontrar trabalho em salas com 600 lugares, o que, se calhar, me impede de fazer uma peça arriscada. Ou corto com isto e volto para salas mais pequenas ou mantenho-me em salas onde tenho de ser mais previsível. Esta vontade de mudar não é uma característica que se espera de uma pessoa já com 50 anos, mas de uma pessoa ainda com 50. E que considera que tem mais uns anos pela frente.
Muitos quilómetros a percorrer…
[Risos] Muitos. Fiz a revisão há quatro anos…
O teatro é onde prefere estar?
Sim, definitivamente. É o sítio onde temos a reacção e o contacto directo do público. Se estou a fazer uma peça cómica e digo uma frase que é cómica mas as pessoas não se riem, é porque estou a fazer mal.
Como descobriu a sua vocação para a representação?
Fui ajudado por um professor de português. Quer dizer, foi ele que me incentivou mas não a ser actor. Falou de Gil Vicente nas aulas de Português de uma forma tão apaixonante que da minha turma saíram quatro actores profissionais.
O que mostra como um professor pode influenciar a vida de um aluno.
Não tenho a menor dúvida. Desde essa altura, dos meus 17/18 anos, que não tenho dúvidas algumas sobre a importância dessa influência. Por isso, pode imaginar como fico quando vejo em que estado está a situação do ensino neste país.
Fui entrando e saindo do Teatro, estamos a falar de 1976. Mas aos 30 pensei: ‘Tens de decidir o que queres fazer da tua vida’ e escolhi o Teatro. Achei que era a profissão onde poderia ter algum futuro. E até agora não me posso queixar… que é aquela coisa muito portuguesa... ‘Não me posso queixar’.
Que outras paixões tem?
Comer.
É muito guloso?
Não. Gosto mesmo de comer. Aliás, por causa disso estou a fazer uma dieta que é para depois poder voltar a atacar. [risos] E gosto de fazer bricolage, gosto de fazer o que há para fazer em casa.
E tem jeito ou nem sempre sai bem?
Nem sempre sai bem. Mas isso é mesmo assim. Ajeito-me e, com os anos, ganha-se experiência e conhecimentos para ir resolvendo os problemas que vão aparecendo.
Voltando à comida: quais são os seus maiores pecados?
Eu não sou muito selectivo. Vai tudo desde que seja bem feito e com bons produtos. Não sou esquisito.
Veja o resto da entrevista aqui
O que muda depois dos 50 anos?
Temos mais calma, mais paciência para umas coisas e menos para outras. Eu tolero melhor aquilo que acho que vale a pena e menos outras coisas porque dei por mim a pensar na morte. Não como uma coisa negra mas como algo que está ali… com naturalidade.
E aprende-se a valorizar mais as coisas…?
Sim.
Mas quais são para si as mais-valias de ter mais de 50 anos?
Ser mais sábio. Saber rentabilizar melhor a vida e as relações com as pessoas com quem convivo. Agora, prezo mais os amigos, as pessoas de quem eu gosto. Dantes andava mais distraído, a viver muito depressa.
Passavam-lhe algumas coisas ao lado…
Exactamente. Profissionalmente, vivemos num país onde, nas artes, só aos 40 anos é que somos considerados. E como levamos pelo menos dez anos a aprender a manejar uma profissão, só aos 50 é que comecei a dominar a minha vida. Neste momento, estou seriamente a pensar no que vou fazer de diferente. As pessoas estão habituadas a ver-me como um cómico e eu, às vezes, tenho vontade de não ser cómico e de fazer outras coisas.
Neste momento, tem algum trabalho em vista?
Pois olhe que não. Nesta altura é difícil encontrar trabalho em salas com 600 lugares, o que, se calhar, me impede de fazer uma peça arriscada. Ou corto com isto e volto para salas mais pequenas ou mantenho-me em salas onde tenho de ser mais previsível. Esta vontade de mudar não é uma característica que se espera de uma pessoa já com 50 anos, mas de uma pessoa ainda com 50. E que considera que tem mais uns anos pela frente.
Muitos quilómetros a percorrer…
[Risos] Muitos. Fiz a revisão há quatro anos…
O teatro é onde prefere estar?
Sim, definitivamente. É o sítio onde temos a reacção e o contacto directo do público. Se estou a fazer uma peça cómica e digo uma frase que é cómica mas as pessoas não se riem, é porque estou a fazer mal.
Como descobriu a sua vocação para a representação?
Fui ajudado por um professor de português. Quer dizer, foi ele que me incentivou mas não a ser actor. Falou de Gil Vicente nas aulas de Português de uma forma tão apaixonante que da minha turma saíram quatro actores profissionais.
O que mostra como um professor pode influenciar a vida de um aluno.
Não tenho a menor dúvida. Desde essa altura, dos meus 17/18 anos, que não tenho dúvidas algumas sobre a importância dessa influência. Por isso, pode imaginar como fico quando vejo em que estado está a situação do ensino neste país.
Fui entrando e saindo do Teatro, estamos a falar de 1976. Mas aos 30 pensei: ‘Tens de decidir o que queres fazer da tua vida’ e escolhi o Teatro. Achei que era a profissão onde poderia ter algum futuro. E até agora não me posso queixar… que é aquela coisa muito portuguesa... ‘Não me posso queixar’.
Que outras paixões tem?
Comer.
É muito guloso?
Não. Gosto mesmo de comer. Aliás, por causa disso estou a fazer uma dieta que é para depois poder voltar a atacar. [risos] E gosto de fazer bricolage, gosto de fazer o que há para fazer em casa.
E tem jeito ou nem sempre sai bem?
Nem sempre sai bem. Mas isso é mesmo assim. Ajeito-me e, com os anos, ganha-se experiência e conhecimentos para ir resolvendo os problemas que vão aparecendo.
Voltando à comida: quais são os seus maiores pecados?
Eu não sou muito selectivo. Vai tudo desde que seja bem feito e com bons produtos. Não sou esquisito.
Veja o resto da entrevista aqui
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